Sobre meu ser...

"Quando lhe faltar razão, que enfim fale o coração".
(Hélio Flanders)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

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Eu queria ter condições físicas pra correr da gente, de qualquer associação que ainda nos façam, nós perdemos o prazo de validade, mas tem certas coisas que não passam, elas ficam pra assombrar mais um pouco, pra marcar território e deixar tudo assim, sem palavras pra descrever.



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

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Já cortei o fio
Dessa vez nada vai fazer ele se remendar.
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

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O inverno tem aspecto de seca, chão rachado e sede. Sinto que a fonte vem perdendo força, nada vai brotar dali, não tenho mais regado com falsas esperanças; eu rezo uma prece pra tudo enfim morrer, sem nenhum remorso evito olhar pra trás, ciente de que não perdi muita coisa.
"Felizes são aqueles que não sentem".



*Ouvir:Sutjeska/Farol - Fresno

domingo, 15 de dezembro de 2013

Sensacionalismo barato de nós dois.

Eu falo de você e pra você, a redundância da sua pessoa se multiplica e me corrói, me deixa sempre a ponto da queda, da crise que de nada tem de poética, não sou segura quando se trata de você, eu agrego  valor desnecessário a nossa "situação" - o que vale milhões pra mim na sua visão deturpada não passa de míseros centavos.
A gente encara esse teatro da vida, veste o personagem, tudo sai tão bem que chega ao ponto da ficção e realidade se misturarem tanto que a verdade simplesmente deixa de existir.




*Ouvir: Sem Medida - Pélico.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

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"Bom, agora eu morri. Mas vamos ver se eu renasço de novo. Por enquanto eu estou morta. Estou falando do meu túmulo".
Clarice Lispector


Queria que Clarice fosse minha amiga, ela parece ser daquelas que a gente olha a primeira vez e vai se acostumando aos poucos, e cada nova descoberta lhe traz uma afinidade até então escondida. Eu saio com as impressões que reuni depois de ler sua última entrevista, é no mínimo uma "mera coincidência" perceber como algumas respostas cabem tanto no momento em que me encontro.
A vida sempre foi pra mim uma coisa assustadora, mas parece que é feio falar das coisas que não se encaixam, é feio falar que a vida não está e nem nunca foi uma coisa fácil de lidar, as pessoas te olham com censura, e ninguém deve ser triste, o sorriso no rosto deve ser o cartão de visitas, falar que derramou umas lágrimas pelas coisas desimportantes, você fica rotulado para sempre de uma pessoa depressiva e desanimada.
Talvez a Clarice não olhasse com censura porque andei me cansando de mim, que certas coisas me embrulham o estômago, que o meu cansaço acumulado de viver me deixa doente e sem ânimo. Mas admiro quem se abre pra vida, quem se abala e consegue seguir em frente.
Viver é um presente, eu sei, todo mundo sabe. Eu é que sou deficiente na minha falta de vocação pra viver.

domingo, 8 de dezembro de 2013

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Coisas da vida

Ela estava sem saco, sem sentido, na rotina, na padaria, na escada, no estacionamento... na passarela da Praça de alimentação da universidade, havia no fundo do corredor, uma multidão de gente, e uma música de Reggae batendo uns tambores, e seu pensamento em todo esse percurso era “Como vou seguir em frente”, O que preciso fazer? Uma, duas, três vezes ou mais essa roda de fiar estava na mente, ao descer a escada, um belo rapaz, um pouco mais alto que ela, de olhos claros e transparentes aos seus olhos e cabelos negros; lhe perguntou: Quer participar? Ela olhou para ele e seus colegas ao redor, ahh acho que já sei o que é? Assinatura de revistas? É só que precisa do seu cartão, bom eu sei, então? Qual é o teu curso? Qual é o teu período? O 10° bloco, ahh já vai terminar, se formar “Com olhos largos e sorridentes....logo pensei boca e lábios cativantes, É pois, isso é uma entrevista? “Não, não, não é, ... logo queria saber se tinha namorada, se tivesse não tem problemas, nem queria que ele nem soubesse o meu nome e nem o dele. Vou deixar passar! Tá bom!, então até mais, ok! Caminhando até a aula, não parei de pensar, nem pensava em querer o nome dele, mas só pensava nele, naqueles minutos das 20h às 22h. A sala só tinha 3 alunos, e bastante coisas na cabeça como distração. O que vou fazer para seguir em frente? Foi quando eu ofusquei, escolhe como meu santo do pau oco, santo que me alivie, e sacie por um milagre, para ultrapassar os meus planaltos, foi quando eu sai, cheguei, e ele veio conversar, e ai já terminou a aula? Não terminou não estou afim nesse momento, mas está a fim de quê? “Com aqueles lábios/olhos surpreendentes”. Quer realmente saber? Sim! Nunca senti que aquele estacionamento fosse apreciativo, quanto àquela noite, coisa de pele, ou não, coisa de animal irracional ou racional, podem definir como: beijos, mordidas, cheiros, pele, sabor, pulsação, gula, meus Deus, aquilo, foi lenha no fogo, pegado e pegando. Ele queria falar, e “Eu falar pra quê”? Logo o ofuscava com beijos e mãos deslizando sobre mim/ele, deixei e deixei fluímos até sermos “O ato e não a potência” de alguma matéria bruta, se alguém entender isso é pura metafisica. Pois não, deixei ser conduzida novamente.. Fiquei pensando nisso com você a aula toda, e isso lhe aumentou seu desejo, ficamos não sei quantos minutos/ horas/ segundos, não tive depois pra calcular, mas quando o vi descontrolado, tive que conduzi-lo para voltar a si, me despedi, e seguir em frente. E no fim ele não entendeu! E ai? E ele ficou meio #puto com isso. Mas não poderia estacionar a noite toda por aqui. E olha que o encontrei no outro dia no estacionamento, mas esta historia não é mais interessante como esta. FIM.

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J.A.

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A gente sabe o caminho a seguir, mas tomar o rumo da saída dói porque é a única coisa que resta, o mais acertado a fazer nesse momento.  Eu preciso me refazer, abrir espaço, olhar pro lado e pra frente.  Me preparei tanto pra dizer tchau que perdi o time, e as palavras restritamente selecionadas não cabem, nada vai explicar direito, mas é preciso e eu me digo isso tanto e a cada vez só me deixa pior. Andei suando frio, perdendo meu sono, chorando sem motivo e por todos os outros que já não são meus, me desgastei tanto nos últimos anos que a derradeira parte que sobrou está se esvaindo, me forçando a tomar decisões das quais não gosto. Não tenho argumentos pra continuar. É adeus.



domingo, 1 de dezembro de 2013

15 minutos

Só tenho 15 minutos, tenho que lavar o cabelo e voltar pra pilha de trabalhos que acumulei durante a semana, mas acho que 15 minutos será o suficiente pra dizer...
A linha frágil que nos liga me aborrece, como tudo que está relacionado a você, de como a gente se camufla nos meio de tantos contatos um do outro, de como nós somos invisíveis. Andei visitando tua página no facebook (novidade), e eu ainda sinto o mesmo friozinho na barriga quando passeio nele, de que qualquer coisa nova na tua vida, vai preencher mais um item na minha lista "diferenças" entre eu e você.
Mas nós sabemos que isso é só uma desculpa pra falar de você. 
Eu só queria que você estivesse me esperando depois do banho. Que o teu olfato farejasse o cheiro novo dos meus cabelos, me indagando se eu mudei de marca, eu diria que troquei de shampoo e que jamais trocaria ninguém por você.