Sobre meu ser...

"Quando lhe faltar razão, que enfim fale o coração".
(Hélio Flanders)

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

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Eu anseio pela parte da história 
Em que tu te tornas apenas mais uma página 
No meio de tantas outras.
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Entre um cochilo agoniado e outro 
Ela  sussurrava  o seu desejo 
Quem sabe alguma força  maior
Fosse capaz de atender o seu pedido
"Que a inércia não nos devore"
Cerrava os olhos 
Pra paz voltar a zelar por seu sono.
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domingo, 13 de setembro de 2015

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Talvez todo esse desespero exacerbado e latente que trago no peito seja pela procura, os calejados pés já percorreram caminhos que não me fizeram sair do lugar, me vi andando em círculos ao final de cada jornada, a conclusão foi a mesma: eu não pertenço a nada, nem a ninguém.
A cidade quente onde nasci e me criei jamais pode me dar o acolhimento que sempre precisei, não culpo a cidade, mas as coisas são do jeito que são, não adianta me revirar em pensamentos que tragam essas justificativas.
Preciso quebrar muros, esses muros que só eu enxergo dentro de mim, a impressão é que eles estão crescendo a cada dia, tenho medo de ser engolida, preciso me libertar, pra enfim pertencer a algum lugar, a quem quer que seja.
Os abrigos oferecidos não são permanentes mas aliviam, me dou ao luxo de me esconder uma vez ou outra, queria poder aproveitar mais vezes, só faço uso deles em caso de extrema urgência. 
Fico lisonjeada com os esforços feitos pra que eu me sinta minimamente confortável, meu coração se torna um fardo por não saber corresponder a altura.
Tenho consciência que essa falta de estrutura em ser feliz nasceu junto comigo, ter que reafirmar pra mim mesma que a felicidade é palpável e possível, é um exercício que na maioria das vezes me dá indisposição.
Na verdade eu devia parar de ser tão rígida, me dizer coisas que me confortem, me estender a mão e não soltar nunca mais desse meu eu descuidado, não vou me blindar, nem cumprir as promessas ridículas que andei fazendo, não quero mais carregar as coisas ruins.
Quem sabe um dia, quando eu parar de abraçar o drama, a vida possa ser finalmente um lugar mais leve.


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

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Eu quis fazer de ti a minha tábua de salvação, a cura pros males que já vivenciei, tu me propôs o que hoje eu chamo de amor sem sentimento, ou no teu caso um pouco de presença, da minha parte quis manter meus olhos abertos, me proteger sem escudo algum, manter um nível mínimo de consciência, pra quando você quisesse partir não levar nenhum pedaço meu contigo, contei tanto essa mentira pra mim que acabei acreditando.