Uma carta pro homem de ombros largos

Eu sempre gostei dos teus ombros por serem largos, quando me lembro deles associo a força, na minha cabeça, os mesmos ombros seriam capazes de suportar qualquer fardo que eu pudesse jogar em cima deles. Sei que tenho jogado toda minha amargura, raiva, revolta, que tenho em mim, pois se não o fizer, não colocar pra fora, isso vai ser capaz de me matar, mas os seus ombros continuam se equilibrando, não importa quão grande seja o peso que eu continue jogando em cima deles.
Fui possuída pelo veneno da rejeição, ele quem tem falado por mim, digitado as piores coisas pra se ler, não consigo interpretar nenhum papel, você não é o primeiro a me repreender por ser eu mesma, de um jeito que ninguém deve estar acostumado, das poucas coisas que gosto em mim, uma delas é a de mostrar o meu formato mais cru, sem filtro, desprendida de julgamentos, até dos seus.
Eu te vi me julgando, esse acontecimento provocou uma revolução em mim, me fez refletir sobre o que tenho representado na tua vida desde então, tentei conversar com Deus, que ele me trouxesse respostas e o conforto que não encontro em lugar nenhum. Pra me convencer que a minha missão contigo está cumprida, talvez eu tenha sido guiada pra te ajudar naquele momento difícil que você atravessou, enquanto você se curou eu fui adoecendo, me sinto doente por não conseguir me livrar de tudo que tem seu em mim, todos os dias eu me entristeço por não me ajudar como deveria.
Mas eu não tenho ombros largos, só uma coluna com escoliose que mal consegue me sustentar de pé, a valentia com que eu pedia mais de ti te passou a ideia errada, de que por dentro eu escondesse até de mim uma fonte inesgotável de força, sinto em te informar que gastei quase tudo que eu tinha, em todas as vezes que você me disse não, ou usava os argumentos mais ridículos do universo pra me repelir.
Estou cansada de ensaiar um adeus, porque eu não queria ir embora sem antes de jogar meu corpo inteiro nos teus ombros, mas eles jamais vão poder me segurar.


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