Eu tenho tentado viver, larguei os aparelhos e algumas manias, acionei o foda-se, espero que tu me envie um pouco de sorte, se não der esquece que te pedi isso.
Curiosamente descobri que talvez eu o veja, mas cedo do que eu imaginava e agora isso me aflige não que eu goste dele, mas sim porque ficaram tantas coisas perdidas no silêncio. Isso vai acontecer, vou vê-lo, confesso que tenho medo da minha reação, talvez me cale como tenho feito nos últimos tempos, talvez eu fale todas as coisas que ficaram intaladas na garganta, eu já tinha deixado de pensar nele e como eu disse há pouco a uma amiga que me perguntou o que eu sentira por ele, em resposta disse: “Contanto que eu não o veja, vai ficar tudo certo”. Não ficarei remoendo a expectativa, o que tiver que ser será, tudo vai ficar mais fácil, já que querê-lo faz parte do passado.
Em minha vida houve alguns laços, uns que eu remendei, outros que os tornei inquebráveis com intuito de conservar amizades, mesmo que distante fisicamente o coração nunca deixa esquecê-los.
Eu não sou a pessoa que se cala, eu não sou pessoa que espera o tempo resolver, engano somente a mim por tentar ser assim todos os dias. Você sabe que eu enfrento, nem que isso custe metade da minha carne, vivo com um nó na garganta desde aquele dia, não que você se importe em saber... Fui cristalizando tuas falas: "Nem tudo precisa ser resolvido." "Nem todas as decisões precisam ser tomadas." "Dê tempo ao tempo." Fiquei até hoje me segurando com esses argumentos.
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